Conflitos e Brigas entre Irmãos Gêmeos

 

  

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Assim como para os gêmeos o compartilhar é um pressuposto básico imposto pela natureza, pois dividem o útero da mãe desde sua concepção, as disputas são...digamos, inevitáveis. São tão constantes que alguns momentos podem ser desesperador para quem assiste, pois todas as soluções acabam sendo ineficazes.  

 

    Eles podem brigar por tudo ou por nada. “Isso é meu”, “Sou melhor que você”. Alguns pais pensam que se os filhos brigam, não terão um bom relacionamento. A quantidade de brigas não é um parâmetro pelo qual se possa avaliar se eles têm um bom relacionamento ou não.  

 

  As disputas, apesar de serem desagradáveis presenciá-las, são importantes para a constituição da personalidade. A criança precisa se impor, se defender, saber lidar com suas limitações. Isso faz com que ela conheça melhor a si a ao outro. Esses conflitos, se bem administrados, podem ser ótimas oportunidades de seus filhos aprenderem a negociarem, a cederem e a repararem seus comportamentos.   

 

  Pesquisas apontam que irmãos que brigam muito quando pequeno, se relacionam melhor quando crescem comparados aos irmãos que não brigaram tanto na infância. Logicamente, como pais, não devemos incentivar para que isso aconteça, mas sim, saber que faz parte de um processo de amadurecimento e ajudá-los a enfrentar da forma mais saudável possível.  

 

  Elaborei algumas dicas que, longe de serem receitas, são sugestões que vocês podem tentar, e claro, adaptar para cada família:  

 

1 - Comprar o mesmo presente para os dois não vai ajudá-los, exceto  a pedido deles. Mesmo o brinquedo sendo idêntico, sempre vão querer o do irmão, ainda que isso não faça sentido algum para você.   

 

2 - Ensine eles se revezarem: "Agora você brinca com o caminhão e seu irmão com carrinho, depois vocês trocam."  

 

3 - Se isso não funcionar, dê opções: "Agora seu irmão está com o carrinho, você quer brincar com o trator ou com o bombeiro?"  

 

4 - Ajude seu filho a se dar conta da real necessidade: "Você tem certeza que quer comer mais, ou só porque seu irmão repetiu o prato?" ou "Puxa, agora você quer brincar justo com o carrinho do seu irmão? Parecia que você estava se divertindo tanto desenhando. Será que é só porque ele resolveu pegar o carrinho agora? Vocês não precisam fazer tudo igual"   

 

5 - Todos essas intervenções servem como referência para eles. Em alguns momentos também é bom deixá-los a resolverem sozinhos, e acreditem, podem nos surpreender com soluções criativas.  

 

6 - Mas caso acabem com brigas físicas, separem-nos: "Vocês podem falar com a boca e não com as mãos".   

 

7 - Evitem perguntar: "Quem começou?" Só vai gerar mais intrigas. Ao invés disso, tente entender o que aconteceu, mas sem "bancar o juiz". Converse com eles, reforce sobre o que você acredita que é importante em um relacionamento (pelo menos dois itens) e faça eles pensarem como resolver esse conflito. Por exemplo:  "Na nossa família nós ouvimos o outro e pedimos desculpas quando é preciso. Então quer dizer que você não gostou que seu irmão pegou o seu lápis novo?”  

 

8 - Incentive a pedirem desculpas olhando no olho do irmão, e explicando o porquê das desculpas. O importante é o pedido vir acompanhado por um movimento de reparação, precisando às vezes, por exemplo, consertar um brinquedinho que quebrou  ou fazer uma compressa de gelo no irmão que foi agredido.  

 

9 - Muitas vezes tomamos partido, pois vimos claramente quem está sendo mais prejudicado. Mas cuidado, nem sempre é o que parece, e às vezes tendemos a proteger o mais frágil. Nos casos de gêmeos, costuma-se proteger quem tem o peso menor, teve mais complicações de saúde logo após o nascimento, ou mais sensível emocionalmente.  

 

10 - Conversar sempre e demais também cansa! Diante de alguns conflitos repetitivos, tente falar sobre outro assunto, para que o “ciclo vicioso” de brigas se quebre e transforme em algo mais saudável.   

 

    Lembrem-se que crianças cansadas brigam mais. Perceba se seus filhos estão dormindo bem à noite e se não é hora da soneca! Um dente que está nascendo, uma gripe ou após uma vacina pode alterar o humor da criança, e vai descontá-lo em quem tiver mais próximo - no irmão.  

 

   Assim como qualquer relacionamento fraterno, a ambivalência está fortemente presente, como "amor e ódio”, porém, o relacionamento entre os gêmeos é muito mais marcado por cumplicidade, carinho e lealdade do que conflitos,   

 

    A diferença entre as brigas entre gêmeos e filhos singulares, é que na mesma intensidade que brigam, é a velocidade com que se reconciliam. Enquanto os pais ainda estão se recompondo, os filhos já estão se abraçando e brincando novamente.  

 

    Então caso eles briguem e você simplesmente não saiba o que fazer, fique tranquilo que eles conseguirão achar um jeito de se reconciliarem sem tanta necessidade de sua interferência. E quanto a nós, continuamos a aprender muito com eles!  

 

Liana Kupferman é Psicóloga Clínica Especializada no tema Gemelaridade há mais de 10 anos.

CRP: 06/72552

 

    Ser mãe/pai de gêmeos não é uma tarefa fácil. É ter que lidar com o tempo todo com as demandas que implica uma rotina de criança, como comida, banho, colo, fraldas. Por serem duas ou mais, além de se preocupar com a segurança delas, na logística, tem os conflitos que surgem, seja por um brinquedo ou por uma súplica de um colo assim que pega o outro filho em seus braços.  

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